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Foster: O que você não gosta em si mesma?
Kinski: A incapacidade que tenho de me comprometer com alguém. Eu sempre tenho que fugir, que ir embora. Isso me deixa infeliz porque compromisso é algo que eu preciso e que ainda continuo rejeitando.
Foster: Você quer dizer relacionamentos com amigos, com os pais?
Kinski: Todo tipo de relacionamento, qualquer um em que houver emoção envolvida.
Foster: Dizem que és uma atriz fenomenal.
Kinski: É mesmo? Quem diz isso?
Foster: Pessoas em geral. Elas dizem que as atrizes têm dificuldade em se confinar a uma única pessoa porque elas têm muitas personalidades diferentes. Então se torna difícil pra elas aceitar a idéia de ter um jeito de atuar consistente ou outro para uma pessoa. É também um estilo de vida louco. O quanto essas coisas te afetam?
Kinski: Quando eu falo, falo o que quero falar, então esqueço que eu já disse algo. Isso não significa que eu fui desonesta no momento, mas você não pode ser tão irresponsável. É terrível, só faz com que eu me sinta oca, rala e suja, como se eu nunca devesse ter dito qualquer coisa. Em primeiro lugar, não posso parar de guardá-lo porque, bem, eu acho que é algo egoísta - precisar dizer algo bom para parecer boa, precisar sugerir algo bom para parecer íntegra.
Foster: Isso vem da necessidade de amar ou de ser amada?
Kinski: Eu sempre acho que eu quero realmente amar, mas acho que só posso amar minha mãe. Qualquer outra pessoa parece apenas entrar no meu caminho e isso provavelmente não é muito saudável.
Foster: Você acha que você tem aquela doença dos atores, aquela tremenda necessidade de encantar, de fazer qualquer pessoa se sentir confortável, de ser consistentemente amada?
(Brigitte, mãe da Nastassja): Ela muda de segundo em segundo e aí está o perigo. Quando ela é meiga, as pessoas acham que ela será assim pra sempre, mas depois ficam desapontadas. Se elas a amam, então deveriam aceitar os sentimentos dela de segundo em segundo. Para a maioria dos pais, amar significa deixar seus filhos fazerem o que for bom pra eles, mas para mim, amar significa deixá-la fazer o que estiver dentro dela. Talvez seja perigoso deixá-la expressar sua felicidade, sua integridade, sua ira, mas quando a vejo e sei que ela está feliz do jeito que ela está, eu não consigo dizer não. Eu deveria estar em casa morrendo de preocupação: "Será que ela se acidentou? Será que ela está bem?" Não, se ela estiver feliz, ela fará o que ela quer. Às vezes é difícil pros pais falarem de suas próprias experiências...
Foster: Você tende a fazer com que as pessoas sejam do jeito que você acha melhor?
Kinski: Não é justo para com elas e nem é bom pra mim. O pior é que eu me torno como o homem com quem estou envolvida, eu falo como ele e tudo mais. É muito estranho e de um certo modo eu o deixo me invadir. Eu preciso idealizar o meu diretor.
Foster: Você se assusta com a tendência que as pessoas têm de se apaixonar por você? Elas ficam obcecadas por você? Às vezes eu me pergunto o quanto há de você nesta... nesta... nesta coisa que você representa nas telas.
(Brigitte). O que é mais atraente nela é que ninguém pode realmente tê-la. Há sempre uma pequena barreira e isso deixa os homens loucos.
Kinski: Não se esqueça que houve dois ou três casos em que eu estive totalmente envolvida - quando o homem poderia me "ter" - e eles me jogaram fora, mas eu não começo o jogo do me "ter" ou não me "ter", é só o meu jeito de ser. Eu gosto de homens que gostam de sair, de se divertir. Então as coisas se desenvolvem na cabeça deles que eu não posso controlar. É difícil...
Foster: Isso deve te assustar porque você não tem condições de se tornar amiga de alguém obcecado por você.
Kinski: Sim, eu suponho. Entretanto, um problema muito pior é o tipo de pessoa que está tão cheia de si mesma que parece merecer tal obsessão. Depois de tudo, não é por você que eles estão realmente apaixonados. Às vezes vejo pessoas que os acham tão interessantes, tão engraçados, tão maravilhosos. Se eles somente soubessem que eles não são! Este é o único jeito de você se tornar interessante: perceber o quão desinteressante você realmente é... Nós todos somos! Há mais para aprender, para fazer. Nenhum de nós começamos a saber alguma coisa. Minha mãe sempre me disse que quando as coisas dão errado - por um instante, se eu tiver sido covarde sobre um relacionamento - a única coisa que se tem para fazer é admitir isso. Admita que você está errado! Caso contrário, você só estará desperdiçando o seu tempo e as outras pessoas.
Foster: A fim de ter algo, ser bem sucedido, você deve se arriscar. Se alguém te idealiza, você tende a perder o respeito por aquela pessoa e se manter distante.
Kinski: Sim, porque você não consegue entender por que eles pensariam que você é desse jeito. Você pensa: "Deus, se aquela pessoa acha que eu sou tão espetacular, imagina o que ela deve ser".
Foster: Bem, não é porque você é linda ou porque é uma boa atriz.
Kinski: Eu sei. Há tantas pessoas que são mais belas que eu, melhores atrizes que eu. Eu acho que é só porque... sou eu. Mas francamente, eu não entendo isso mesmo. Eu acho que isso é que é o bom do amor, é inexplicável.
