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O pai da Nastassia é o ator alemão Klaus Kinski, 56 anos, mais conhecido por seu papel nos dois filmes de Werner Herzog. Em Aguirre, a cólera dos deuses, ele interpreta um louco que deve enfrentar a selva sul-americana, mas que está certo de que ele é Deus; em Nosferatu, ele é uma criatura que se alimenta de sangue. Kinski é um dos grandes monstros do cinema e ele traz com suas habilidades a reputação de que é um difícil, se não demoníaco, ator. Klaus conheceu a mãe de Nastassia, Ruth Brigitte, 42 anos, quando ela tinha 17 anos. Ela estava vendendo luvas numa loja de Berlim. Ele a viu pela janela, entrou e fingiu estar interessado em luvas, e a levou para casa naquele dia. Eles enviaram um telegrama para a mãe de Brigitte e depois saíram pra assistir um filme em algum lugar. Nastassia nasceu em 24 de janeiro de 1961, um mês depois Brigitte completou 20 anos. O casamento dos Kinski durou cerca de oito anos e meio.
Brigitte tem estado com Nastassia em Los Angeles há algumas semanas no Shangri-La, um renovado hotel no estilo art deco em Santa Mônica com vista para o mar. Eu encontrei Brigitte lá e nós nos sentamos em um banco da praia e conversamos. Ela é muito mais baixa que Nastassia. Seus olhos são azuis, não usava maquiagem e sua pele é da mesma brancura da pele da Nastassia. Brigitte estava escrevendo um livro de poemas e sua autobiografia, mas ela não publicou ainda. Ela diz, "eu realmente nunca quis ser uma artista porque eu tenho minha filha e meus afazeres que são as coisas mais importantes da minha vida".
"Klaus e eu realmente vivemos num lugar de Kafka. Todas as noites e todos os dias eu estive em um palco na nossa casa. Ele criava uma peça e eu tinha que reagir. Isto era terrível às vezes. Era o céu e o inferno. Eu estava cem por cento convencida de que ele era o demônio. Era o Ricardo III dez vezes ou Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Ele era extremamente ciumento. Ninguém tinha o direito de falar o meu nome ou o de Nastassia por meses. Ele queria que eu tivesse um filho todo ano. Isto era impossível. Ele era tão possessivo, ele ficava com ciúme quando Nastassia mamava no meu seio. Era como se ele tivesse construído uma religião à nossa volta. Era dez vezes Romeu e Julieta com seus filhos. Isto era bonito de certa forma, mas era um inferno também. Nós vivemos intensamente por oito anos e meio. Um dia era como meses. Nosso relacionamento era doido, mas nós sempre fizemos instintivamente a coisa certa pra Nastassia. Nós demos a ela liberdade. Ela fez de algo pequeno, um mundo. E quando ela precisou de um abraço meu para fazer alguma coisa. Nosso relacionamento não feriu Nastassia. As crianças não se aborrecem quando elas sentem que seus pais se amam. Klaus e eu nos amamos. Então ela sempre estava bem. Ela não tinha medo do seu pai. Depois da separação, eu nunca deixei minha filha sentir minha próprias vibrações quando elas eram negativas. Eu sentia que eu não tinha nenhum direito. De certa forma eu fiz isto."
"Eu sempre tive uma forte sensação de que Nastassia se tornaria uma artista. Não importa o que ela fizesse, se ela dançasse aos 3 anos música clássica que ela nunca tinha escutado, ou fazendo poses, ou quando ela estava pintando, qualquer coisa, eu sentia isso. Quando ela tinha 4 anos, ela misturava cores como os antigos pintores faziam. Ela nunca usava o vermelho real ou o azul real ou o amarelo real, sempre as cores antigas, marrom avermelhado, azul inglês, para envolverem as cores assim eles tiveram a harmonia dos quadros antigos. Ela sempre pintava princesas com pescoços longos, com cinturas extremamente finas e duas bolas perto do pescoço, os seios. Eu sabia o que estava por vir quando seu pai a filmou aos 2 anos de idade. Aos dois anos de idade e com tal sensibilidade e tal atitude de dor em sua face, e beleza, uma mulher já, e uma criança aos dois anos. Essa dor não era como a dor que um ser humano sentiria, mas como uma rosa, como uma flor sentiria a dor. Mas eu sempre quis afastar isso dela pra não chegar tão cedo. Não era pra nós empurrá-la pra alguma direção. Klaus e eu nunca falamos sobre isso. Era como uma lei não declarada. Nós nunca dissemos, 'olhe pra ela, ela será boa em filmes'. Klaus nunca conversou sobre atuação com ela. Ela não é uma criança prodígio. Eu queria que ela tivesse uma vida normal antes do destino levá-la embora."
"Ela era um pássaro. Sempre um pássaro. Ela fluiria. Ela sempre estava ocupada. Levantava muito cedo de manhã e sempre dizia, 'eu tenho muitas coisas para fazer'. Ela brincava, cantava, pintava. O que esta menina me deu em lindas vibrações e amor, é lindo. Ela tem mantido sua imaginação e é sempre ingênua e sábia até agora , até agora pensei que ela já viveu uma vez. Eu não sei. O extremo dos personagens é tão forte. Eu mesma cresci muito tarde intelectualmente, embora meu instinto sempre fosse extenso e talvez isso fosse bom pra Nastassia. Eu nunca me forcei a ser alguém no estabelecimento, isto não me interessou. Eu vivi sozinha também no mundo de fantasia com minha filha. Eu era tão jovem e tinha achado o segredo para viver, para crescer, para encontrar minha própria identidade."
"Aos 15 anos, quando ela decidiu deixar a escola, foi terrível. Eu fui até a pessoa que tinha o mais alto cargo na escola em Munique e implorei a ele que fizesse Nastassia permanecer na escola. Às vezes ela dizia que estava indo à escola, mas não estava. Entre os 14 e 18 anos, Nastassia me deu muito trabalho. Eu sou melodramática e melancólica, então eu chorei o tempo todo. Eu não conseguia entender isso. Eu me senti completamente inocente. Eu ainda não acho que a rebelião dela contra mim era natural. Ela tem dito que ela criou seus próprios problemas, quis ser uma estranha naquele tempo. Eu não lhe dei qualquer atitude burguesa para que se rebelasse, como não use aquelas calças, não use maquiagem, volte pra casa às dez horas. Eu não a amei tanto para querer mantê-la. Quando você vê seu filho feliz com os olhos brilhando e um sorriso no rosto e o corpo todo inquieto, como você pode dizer não? Mas não me pergunte o quanto eu sofri por ser perigoso. Toda a Munique estava atrás dela por causa do seu charme, seu espírito. O dia todo, 'Nastassia está aí?' Garotos, garotas, não importa. Eles todos queriam algo dela. Esta secreta liberdade não decretada, karma, ela tem tido sempre, o que estimula as pessoas a estarem ao seu redor. Quando os garotos vinham com suas grandes motocicletas, eu morria. Eu ficava tão preocupada com acidentes, drogas, tudo. Mas ela estava protegida por meu amor. Como você diz quando come algo e se satisfaz? Ela não estava faminta por amor, ela não tinha nenhum vazio por dentro. Ela era muito sapeca também, praticava esportes. Homens e garotos passaram maus momentos com ela, mas ela não fazia isso pra ser conquistadora, pra brincar com eles. Ela se apaixona por um curto tempo e depois esquece. Mas não de um jeito sórdido, ela era como uma nuvem, ela apenas se distanciava e isso ainda acontece."
"Neste país, deram a Roman Polanski uma má imagem ao seu relacionamento com as garotas. Um homem não pode forçar uma garota quando ela não quer fazer amor com ele. Polanski é uma pessoa muito doce, charmosa, inteligente e é por isso que as garotas gostam dele. Provavelmente ele é perigoso também, mas as garotas fazem suas próprias cabeças. Ele gostou muito de Nastassia e deu a ela toda força e atitude que ela deveria ter recebido do seu pai. Eu nunca tentei direcionar os relacionamentos dela com os homens. Quando minha filha está feliz, eu suponho ser o homem certo pra ela. E cada um de nós devemos ter nossas próprias experiências. Eu não poderia dizer quem era o certo pra ela."
"Eu nunca a havia supervisionado desde que ela era criança. Eu a ajudei a decidir sobre seus filmes. Eu lhe disse para que inicialmente não aparecesse nua em filmes. Quando ela foi à Itália fazer Tentação proibida, nós brigamos no aeroporto porque ela queria ser dona de si. Eu não sabia que ela ia fazer uma cena nua, isto não estava escrito no script. Eu não assinei qualquer coisa ou disse que ela poderia fazer cenas de nudez. Eu lhe disse, 'você não fará isso de novo, fará, Nastassia?' E ela disse, 'não'. E depois ela o fez novamente em A marca da pantera. Eu fiquei tão louca. Eu não poderia entender isso. Ela é tão forte e inteligente, mas por outro lado, ela deixa as pessoas a manipularem tão facilmente. Eu tenho dito a ela, 'seu rosto é mágico e tão erótico que você não precisa mostrar seu corpo. Milhões de garotas tem belos corpos, mas você tem esse rosto, esta expressiva magia negra'. Oh, ela é tão tola. Se ela não tivesse essa magia e elegância, ela estaria acabada."
"Ela está agora tão inquieta. Ela deve procurar se acalmar. Em muitos aspectos ela está tentando achar sua identidade. É um trabalho duro mudar de identidade nos filmes, de qualquer forma, pra um adulto é muito mais difícil do que para um jovem. Às vezes ela me diz, 'o meu destino é viver minha vida apressadamente e conseguir as coisas mais belas porque morrerei cedo'. E quando ela diz isso, isso me corta como uma faca e eu digo, 'pare, não diga isso.'"
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