PARTE 6 (pp.127 - 129)

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Quando Nastassia soube que eu havia me encontrado com seu pai, ela disse que era muito mais filha dele do que tinha admitido antes. "O desejo de me isolar se tornou com uma droga e sei que não posso ter isso ainda. Eu tenho ficado cada vez mais próxima da natureza e a visão da origem disto me bombardeia o tempo todo, mas não quero ser como meu pai, sem saber lidar com as coisas e com ninguém. De certa maneira, meu pai é um covarde e eu também, nós dois somos. Eu sou um covarde porque caio fora ou me torno indiferente nos meus relacionamentos e com as pessoas que eu realmente amo. Eu me mergulho de cabeça em algo ou em alguém com energia e força total, mas de repente eu saio e depois já estou pronta pra próxima. Eu tenho medo de me comprometer com qualquer coisa assim como meu pai. Ele verdadeiramente não quer ser confrontado, ele vai e agarra-se à luz do sol e eu sou exatamente assim como ele, por isso que eu rejeito tanto isso nele porque eu vejo isso em mim. Então eu sou indiferente e tenho que encontrar prazer e dor porque a dor, a dor é só uma palavra, a dor é boa. Através da dor há alívio, um repentino entendimento e amor, tudo está conectado."

"As pessoas dizem que sou como uma borboleta, que eu curto o momento e depois bato as asas e vou embora. Eles dizem que é bom, mas realmente é um abismo. É bom por um momento, é como uma chuva regando, mas depois pára e eu me torno indiferente ou fria, e então vou embora de novo. Eu sempre tive essa imagem do mundo, e o mais perto que eu consigo chegar, o mínimo que se consegue ter, e quando eu o tenho em minhas mãos, isto não é nada. E assim que o deixo pra trás, ele voa pra longe e ilumina. Ele não quer estar comigo ainda. Eu me contenho muito e expresso isso em mim principalmente. Eu escrevo um diário, mas ele não é apenas um diário, é um amigo, é a melhor parte de mim que se conecta com a parte mais confusa. Há semanas que não escrevo e escrever é tudo o que anseio, é como respirar. Quando escrevo, os poros se abrem e me sinto limpa. Eu sou como duas pessoas. Não é legal quando às vezes você é um monstro e às vezes você é um anjo, mas o monstro dentro do monstro se torna um monstro enorme. Mas não é isso, eu não posso me desvalorizar. Eu não posso me comprometer com nada nem com ninguém. O meu lado indiferente, cruel e desumano tentar puxar todo resto nisto, mas eu tenho apenas um presente, o presente da alegria momentânea. Aquela alegria é mais forte que o puxão porque a alegria está conectada com algo maior, algo lindo e forte. Esta é a verdade: eu crio alguma coisa e no próximo segundo já estou capacitada para destruir o há de mais puro no mundo. Eu poderia deixar na mão a minha mãe ou meu melhor amigo em um momento muito importante e depois ir ajudar um completo estranho."

"Meu pai disse pra eu nunca seguir uma religião, pois segundo ele, todas eram falsas e hipócritas. Se você quer ser religiosa, ele me dizia, ame os dias e as flores, viva a vida com os olhos abertos e não minta. 'Moralismo' era uma palavra que meus pais nunca usaram, 'verdade' era a palavra. A verdade encara as coisas feito um animal. Eu adoro a consistência da natureza. Depois de tudo, ela continua se renovando e crescendo e Deus foi quem criou isso, foi Ele quem fez a vida. Quem sabe quem é Deus ou o que Ele é? Mas Ele é a melhor coisa que temos, é a única coisa na qual podemos nos agarrar. A dúvida de como o universo começou me tortura. Começando com os insetos, quantos milhares de pequenos e lindos insetos, de pequenos e perfeitos insetos, existem? E você pensa e pensa e não encontra a resposta. Existem fatos e você pode ler sobre isso nos livros, mas ainda é tão inacessível e realmente a Terra voa como nossas almas, eu acho."

"Qualquer coisa que eu ame está conectada a meus pais, o que eles amavam e ouviam. Eu cresci com Chopin. Meu pai tinha discos de música africana, ugaduga, ugaduga, a música africana é uma selva real. Eu costumava ouvir esse tipo de música, era como o ritmo do corpo. Eu adoro Dostoyevski, Kafka e Goethe, não porque os li, mas os amei por causa de meus pais, mas acontecia que nós tínhamos apenas uma coisa: um ao outro. Eu tinha em casa livros e objetos e as primeiras coisas que confrontei. Todas as outras coisas eu li depois que fiquei mais pálida e de um certo modo, Dostoyevski, Gogol, Kafka e Goethe dizem a mesma coisa e almejam o mesmo. É tão louco e tudo acaba em um só lugar, tudo acaba no que meus pais me ensinaram também. A única coisa que alivia é crescer de jovem pra velho, pra jovem de novo. E novamente você pode se tornar jovem quando estiver realmente velho. É estar desejando a dor pra saber que este sentimento existe, desejar a escuridão pra saber que a luz existe, desejar a autodestruição pra saber o que é grande sobre o amor e perceber quando já está quase tarde demais para aquilo que você tem que viver."

Kinski disse que quer dirigir, mas não estrelar, um filme que ela tem escrito que se chama "Dia e noite". "É tipo um conto de fadas que mostra o dia e a noite da origem humana. Há dois personagens: uma linda mulher de 35 anos que realmente nunca viveu e um garoto de 11 ou 12 anos. Eles não são parentes nem amantes. Durante o dia, a mulher grita com o menino e bate nele, mas à noite ela se torna amável e educada. Para durante o dia manter distante o lado monstruoso dela, à noite eles resolvem nadar no mar tanto quanto eles podem e depois esperar o dia amanhecer. E quando o dia termina, a mulher tenta afogar a criança, mas ele se segura nela e os dois se afogam abraçados um ao outro."

Kinski mudou a ortografia do seu primeiro nome, Nastassia, para Nastassja. Ela casou com o produtor egípcio Ibrahim Moussa, 13 anos mais velho, em setembro de 1984. Eles têm dois filhos, um menino chamado Aljosha Nakszynski (nascido em 1984) e uma menina chamada Sonja Leila (nascida em 1986). O casal divide seu tempo entre suas casas em Paris e Roma. O último filme de Kinski em Hollywood foi "Revolução" com Al Pacino em 1985. Nastassja regularmente atua em filmes europeus.

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